Consciência corporal e movimento

Saúde em suas mãos – Sedentarismo

O que é saúde pra você?

 

Eis aqui algumas respostas possíveis:

  • Um estado físico e mental totalmente ausente de doenças, sensações desconfortantes ou sintomas.
  • Um estado de sensação de vitalidade que traz disposição e bom humor.
  • Um resultado de atitudes e hábitos / esforços em conhecer suas demandas e limites INDIVIDUAIS, tanto no corpo quando na mente.

Podemos chamar isso de equilíbrio, autonomia, autoconhecimento e percepção.

Já sabemos o que precisamos realizar para alcançar esse estado tão precioso. Um estilo de vida. E saber não é sinônimo de fazer. Eis toda a complexidade ! Informação em saúde nós temos, mas o que dificulta a ação, a prática?

Por isso, proponho nestes próximos textos abordar detalhadamente este assunto, de forma reflexiva e gentil, numa posição humana e não de “médica”, a que dá as ordens para você ter saúde e tem a obrigação de curar sua doença. Já sabemos que informação por si só não basta, para grande parte dos seres humanos neste mundo.

Alguns assuntos são clássicos. Para não começar logo falando de comida, nutrição, dieta ou alimentação, vamos pro corpo humano em sua forma original.

Braços, pernas, músculos, ossos. Todo um sistema mecânico que… NÃO FOI FEITO PARA FICAR PARADO. SENTADO. DEITADO (a não ser de noite).

Corpo e Natureza, Movimento e saúde.

Nossos antepassados próximos (pois, como sabemos, nosso modo de viver e ocupar o mundo mudou demasiadamente em 200 anos) eram andarilhos, catadores de comida e de coisas, e sem entrar no mérito (ainda) do que comiam, é sabido que estes passavam horas e horas andando, abaixando e levantando, escalando, pegando peso.

E hoje? Em grande parte do dia, sentado, digitando, fazendo movimentos repetidos com mãos e dedos. Eis o ser humano moderno. E o pior está por vir, pois a tecnologia já vem dando sinais de suas mazelas na saúde e bem estar, principalmente mental! (assunto este que abordaremos também, com muita reflexão).

Sedentarismo: do termo latim sedere (sentar-se). Pode-se considerar o sedentarismo um estilo de vida, e sua abordagem e estudo envolve o entendimento de fatores comportamentais, sociais, ambientais, familiar e físico.

Mover o corpo: exercitar-se, de um jeito que traga prazer e bem-estar emocional. Antes, durante e depois. Para muitas pessoas o exercício físico é tido hoje como uma obrigação, uma tarefa chata que se deve cumprir por diversos fins, ou ordens profissionais. Simplesmente por não ser parte do modo de vida (sentado / deitado / inativo fisicamente) delas. Ou, não apropriaram o movimento como fonte de bem-estar e prazer. O problema disso é que ser sedentário traz MUITOS problemas, em médio, curto e longo prazo, este, principalmente.

Está ligado desde a câncer até a depressão. Favorece acúmulo de peso. E aí, já viu: bola de neve. Doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), o nome que damos para doenças causadas pelo estilo de vida, e ser sedentário é um deles.

Exemplos: obesidade, Hipertensão, diabetes.

É muito assustador o estrago que o sedentarismo faz. Ainda sim, muita gente reluta, tem preguiça, ouvimos tanto a frase: Ah! tão difícil recomeçar, ou começar”ou “tudo dói, sinto cansaço”.

Sim, sabe por que? Sedentarismo CANSA. E dói. É uma jaula pros nossos músculos e articulações. Mas, podemos atuar de forma a ser um bom domador da mente, tomar a rédea das tendências mentais e agir, sabendo que:

Nenhum esforço que saibamos que custará algo (neste caso dor, ou fadiga inicial, ou tempo para acostumar) será estimulado pela sua mente e pensamentos a realizar. Ou seja, se puder ficar sentado vendo série, é isso que ela vai forçar ao máximo você fazer. Entende? A mente MENTE.

Como segurar a rédea deste cavalo? Quem manda e quem obedece?

Alguns chamam isso de poder do hábito, outros, de hackear o cérebro, ou seja, entender o funcionamento padrão das conexões neuronais e abrir novos caminhos, além da via de costume.

  • Não importa quanto tempo: vá. Comece andando. Ande. No período do dia que você costuma ficar mais ansioso (isso pode ser um sinal bem interessante do seu corpo querendo movimento). Cinco minutos? ok, amanhã seis.
  • Um ótimo exercício abrange fortalecer músculos. É bom pra envelhecimento saudável, física e mentalmente. Não curte academia? Aprende uns exercícios de força. Ande de bicicleta. suba seus andares do prédio de escada. Volte a pé de algum lugar, use um bom tênis pra isso.
  • Resgate esse proceder dos seus antepassados, pois ainda somos mais eles do que os humanos deste novo milênio. Sinta as melhorias, de verdade, pois elas instalam o hábito. (lembre que a mente ama prazer, e se você começar a se sentir bem, registre isso).
  • Peça ajuda a um profissional de educação física e/ou medicina esportiva sempre que perceber dificuldades. Ou, se há um buraco mais embaixo, no passado, a entender, um psicólogo pra arrumar as coisas no campo emocional. Difícil hoje quem não precise deste suporte.
  • Natureza é um cenário curativo por excelência. Se puder, esteja sempre num ambiente de natureza, com solo e árvores. ande descalço, toque nas árvores, respire.
  • Levante-se em intervalos de 45min no trabalho para espreguiçar-se, alongar braços, costas, pescoço. Beba água num local mais afastado de sua mesa / sala.
  • Pesquise sua saúde. Investigue deficiências nutricionais, que podem contribuir pra perdurar fadiga e falta de disposição, isso pode ser também bioquímico.
Andar é a forma mais prática de começar.

Para facilitar a instalação deste sistema, desta modificação de estilo de viver, possivelmente você precisará de ajuda e ferramentas. Sugiro instalar aplicativos e alarmes (tecnologia a seu favor) que te orientem. Marque tempos e momentos de relaxar / levantar / beber água.

Referências:

1 – Salmon J, Owen N, Crawford D, Bauman A, Sallis JF. Physical activity and sedentary behavior: a population-based study of barriers, enjoyment, and preferenceHealth Psychol. (2003) 22:178–88. 10.1037/0278-6133.22.2.178

2 – Wilmot EG, Edwardson CL, Achana FA, Davies MJ, Gorely T, Gray LJ, Khunti K, Yates T, Biddle SJ. Sedentary time in adults and the association with diabetes, cardiovascular disease and death: systematic review and meta-analysis. Diabetologia. 2012 Nov;55(11):2895-905. doi: 10.1007/s00125-012-2677-z. Epub 2012 Aug 14. Review. Erratum in: Diabetologia. 2013 Apr;56(4):942-3. PubMed PMID: 22890825.

3 – Henson J, Dunstan DW, Davies MJ, Yates T. Sedentary behaviour as a new behavioural target in the prevention and treatment of type 2 diabetesDiabetes Metab Res Rev. (2016) 32 (Suppl. 1):213–20. 10.1002/dmrr.2759

4 – Blough J, Loprinzi PD. Experimentally investigating the joint effects of physical activity and sedentary behavior on depression and anxiety: a randomized controlled trialJ Affect Disord. (2018) 239:258–68. 10.1016/j.jad.2018.07.019

5 – Magnon V, Dutheil F, Auxiette C. Sedentariness: A Need for a Definition. Front Public Health. 2018 Dec 21;6:372. doi: 10.3389/fpubh.2018.00372. eCollection 2018. PubMed PMID: 30622939; PubMed Central PMCID: PMC6308180.

6 – Vancampfort D, Stubbs B, Herring MP, Hallgren M, Koyanagi A. Sedentary behavior and anxiety: association and influential factors among 42,469 community-dwelling adults in six low- and middle-income countries. Gen Hosp Psychiatry (2018) 50:26–32. 10.1016/j.genhosppsych.2017.09.006

 

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