Grão-de-bico aromático

A expressão criativa e sensorial da prática alimentar se assemelha a uma arte, onde cada prato possui inúmeras possibilidades de sabor, aroma, ingredientes, acompanhamentos. Ao entender a dinâmica alimentar, o conteúdo nutricional dos alimentos e sua forma de preparo, podemos ir muito além, e este é um dos objetivos desse prato.

Aroma, paladar e mente.

O clássico  indiano, Dahl (Dal, Dhal ou ainda Daal) é um cozido preparado a partir de leguminosas (grão-de-bico, lentilhas, ervilhas ou feijão), presente na culinária de boa parte da Índia, Nepal, Paquistão, Sri Lanka e Bangladesh. É regularmente consumido com arroz e legumes no sul da Índia, e com arroz e chapati (uma espécie de pão sem fermento) no norte da Índia e no Paquistão.

A combinação leguminosa e cereal (arroz) ou pseudocereal (quinoa, amaranto) traz o aporte protéico total que o indivíduo necessita para suas funções diárias. O restante, que também contém proteínas, como legumes, grãos e frutos, potencializam ainda mais o grande “pool” de aminoácidos distribuídos com generosidade e abundância nos alimentos da terra.

Na preparação que exponho hoje procuro mostrar um exemplo dos muitos caldos ou preparados vegetais que podemos montar e nutrir além da experiência do paladar, alimentando também o olfato, a visão, a mente.

Prato pronto com arroz integral.

Ingredientes:

-350g de grão de bico (deixar de molho por 12 a 24h, trocar a água após 12h de molho).

– 1 cebola cortada em anéis ou cubinhos

-1 pimenta cambuci cortada (ou meio pimentão amarelo)

-1 beterraba em lâminas finas

-100g de tofu seco ou defumado cortado em cubinhos

-5 col. sopa de leite de côco

-1 col. café  de óleo de gergelim (5 a 6 gotas)

-Lâminas de gengibre a gosto

-Especiarias: açafrão da terra (cúrcuma), curry, ervas finas com limão,

-Masala de grãos moídos (coentro, mostarda, gergelim, pimenta negra). Basta bater no liquidificador ou moer. Coloque uma proporção maior de gergelim.

Preparo:

Antes de tudo, colocar o grão-de-bico de molho na água para retirar os antinutrientes. Costumo deixar 24h, e aconselho a fazer o mesmo quem tem sensibilidade aumentada, que se traduz em muita produção de gases. Troque a água em 12h e quando for cozinhar lave e cozinhe na pressão, em nova água, por 20 a 30 min.

Refogue no azeite a pimenta cambuci (não arde, lembra o pimentão) e a cebola no azeite com as especiarias. Adicione o tofu. Se não encontrar o seco ou o defumado (eles possuem uma casquinha escura e ficam crocantes quando refogados em óleo) use o tofu firme. A masala não é obrigatória, porém enriquece muito o prato em nutrientes e aroma. Experimente testar. Pode variar com pimenta do reino, lemon pepper, páprica picante e/ou doce, noz moscada, ou especiarias de sua preferência.

Adicione a beterraba crua em lâminas e mexa. Adicione um fio de água e faça isso por 2 a 3 vezes, toda vez que secar, e continue mexendo. Isso vai cozinhar a beterraba sem despedaçar, deixando-a al dente. Adicione o grão de bico e mexa. Coloque água o suficiente para gerar um caldo, não muito ralo, creio que meio a 3/4 de copo. Mexa e deixe cozinhar um pouco, 2 a 3 min.

Coloque o óleo de gergelim e o leite de côco e mexa. Se estiver muito grosso, adicione um pouco de água. Se estiver muito ralo, Dissolva 1/2 col. café de amido de milho em um pouquinho de água e acrescente, mexendo até engrossar.

Sirva com arroz integral ou quinoa.

Serve 2 a 3 pessoas.

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Aprender a sentir não precisa de leituras e sim experimentar. Entenda as masalas e crie a partir de grãos de especiarias o seu tempero, variando e analisando cada detalhe dos sabores em cada garfada. Existe vida!

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