Alimentar e suplementar – o que somos.

Nas constantes investigações pessoais na arte de cura, foi inevitável testemunhar a modernização da ciência médica e nutricional em diversos campos de atuação no ser humano integral.

Após o aprendizado acadêmico de formação com base no diagnóstico e conduta, semiologia e tratamento, observei a ascensão da era suplemento, onde princípios ativos isolados naturais ou não foram desenvolvidos pelo homem no intuito da correção, modulação, cura e promoção de bem-estar e longevidade dentro ou fora dos aspectos da doença.

A medicina moderna evolui como a tecnologia, na intenção de apaziguar os efeitos da mudança radical do ambiente no qual vivemos. Tudo mudou: relações sociais, culturais, familiares e da natureza.

A bioquímica humana está imersa em um contexto desfavorável, por assim dizer, devido a nossa própria evolução intelectual e das relações com o meio. O mundo visível não tem mais as mesmas moléculas de antes. No ar, nos alimentos, e até mesmo dentro dos seres, que a cada geração, modificam sua composição elementar básica.

Fabricamos comida, fabricamos nutrientes, fabricamos bactérias, fabricamos as máquinas que criam tudo isso. Fabricamos a facilidade e assim temos tempo livre (?) para suprir as demandas sociais culturais do sistema que nos faz viver. Para não perder tempo no trabalho, come-se comida feita para o lucro de quem se especializou em vender comida. Para não sentir os fortes efeitos de estar diariamente direcionando a mente para uma função limitada e específica (i.e profissão) tomamos pílulas de princípios ativos que impedem a progressão dos efeitos deletérios do estresse.

Corrigimos (ou tentamos) a configuração humana com itens que nós mesmos fabricamos, para sanar efeitos surgidos quando não foi mais possível seguir a configuração original da natureza interna e externa. Tudo isso é muito espetacular, muito avançado, muito científico. Mas os processos não param. E nem poderiam parar, já que essa é mais uma engrenagem que deu certo na lei da oferta e procura.

Quem não gostaria de resolver sua baixa auto-estima, insegurança, medo, angústia e cansaço com uma dúzia de pílulas pela manhã e seguir em seu ritmo pendular e automático? Quem não gostaria de não adoecer ou de mascarar os sintomas de uma doença até o ponto que for possível com um blend completo e moderno de antioxidantes e moduladores cerebrais potentes? Num panorama onde doenças degenerativas crescem em incidência, mais uma vez não se teria escolha a não ser modular mais uma vez o robô mente a continuar funcionando contra sua natureza num processo paradoxal de supernutrição, superdoses, superalimentos, superestímulos e até modificações extremas com superhormônios. Obviamente os efeitos são incríveis, rápidos, e cada vez mais específicos. A nova era da medicina fala de genes, nutrientes que modificam o DNA, medicamentos inteligentes, nootrópicos, hormônios bioidênticos.

Máquinas podem sintetizar tudo. Manipulamos especificamente um grupo de minerais, vitaminas, substâncias vindas de plantas que comprovamos ser essenciais para o bem estar físico e mental. Uma belíssima história para quem se lembra de quando a medicina não valorizava em nível suficiente o poder que há em cada espécie de planta, fungo, bactéria, semente e raízes que permeiam e dividem o plano terrestre conosco.

Seria possível um mundo assim? Estaria solucionado o dilema do homem e da mulher que pouco sabem para onde vão ou o que vieram fazer aqui? Será que todos se encaixam no processo que criamos de nascer, crescer, estudar, formar, trabalhar, comer fora, prosperar, ter, ser belo, ser forte, ser um exemplo, vencer na vida, ser saudável, tomar seus suplementos de manhã, um shake de proteínas para  manter a massa magra, criar os filhos, aposentar e no fim não saber o que fazer com o tempo que a vida toda lhe faltou?

O que é a cura?

Como refletir sobre isso na luz dos tempos atuais?

Nossos tecidos, sentimentos, cargas eletromagnéticas e emoções são sistemas incríveis de ser conhecidos e desvendados. Porém ao meu ver, ninguém pode integralmente modular estes de forma sincrônica como a própria natureza viva que é parte de nós, externamente.

Nosso sol, nosso solo, nossas raízes, folhas, frutos, algas, águas. Nossa respiração, gases do ar, nossos passos, caminhar, nosso toque, nossos pensamentos, nossas visões e relações. São todos reais, originais, insubstituíveis, nunca serão possíveis num laboratório qualquer que seja.

A cura está na tentativa diária de retornar ao que somos. esforçar-nos em ter de volta e conquistar nosso próprio corpo ao sentir e intuir do que precisamos no dia, no momento, na situação específica. Muito pouco de intelecto, muito mais de percepção sutil.

Enfim. Concluir esta reflexão é compreender que é impossível alterar artificialmente nossa existência a longo prazo, a não ser que seja deveras real. E o que é real? Verdadeiramente real são as fontes naturais de vida, de ar, de nutrientes, de bactérias, de relação e de percepção.

Seria difícil conseguir essa liberdade totalmente, não há como voltar a ser um catador em meio a natureza, ser um nômade que vive apenas pela sua experimentação e troca com o meio, como fomos a maior parte de nossa existência no planeta. Assim estão programados a maioria de nossos genes ainda. Em mecanismos de recompensa via neurotransmissores cerebrais e até mesmo em relações comensais com bactérias que adquirimos no solo para nos ajudar a viver a partir de nossos intestinos.

Em relações humanas puras e prazerosas, já que o prazer é uma dádiva inerente ao ser humano tanto quanto sua maturidade intelectual e psíquica. Em constante troca de toques e informações não egoisticamente formuladas, mas puramente para serem sentidas e recodificadas, onde a cada contato com diferentes seres podemos aprender mais sem a presença do intelecto, mas somente pelo corpo e cargas energéticas. Em fluxo aberto e contínuo de energia criativa, que nos faz, em última instância, ser feliz e querer viver.

Eis um pouco da minha reflexão sobre a cura na era pós moderna. Ela seria quase que uma máquina do tempo diária onde tentamos sem medir esforços estar cada vez mais em contato com o anscestral que vive em nós, originalmente, plenamente, tanto micro quanto macroscopicamente.

Na tentativa de alimentar-nos de algo que nós mesmos manipulamos (quem dera se fosse do que nós mesmos plantássemos ou colhêssemos numa floresta – alguns conseguem), de usar diferentes princípios ativos presentes em folhas e raízes, de obter frutos da terra oriundos de um solo rico  em minerais e bactérias vivas, de respirar profundamente e exalar o ar que nos fornece puramente a conexão instantânea ao nosso eu profundo, de beber águas ricas em elementos e cargas inteligentes e capazes de corrigir desvios imperceptíveis, de ser integralmente, sem medo, sem dor, sem angústia, de amar sem restrições sociais e familiares.

Sim, os suplementos são incríveis ferramentas de tratamento não tão agressivo quanto drogas sintéticas e químicas. Mas até que ponto eles chegam e nos trazem a real verdade sobre nossa vida? E se a vida em si, é um tratamento médico, qual seria o remédio definitivo após um uso paliativo de produtos antiaging (anti-envelhecimento), já que viver para sempre nesse contexto é algo estranho, se não há por detrás uma VIDA a se viver?

EXISTE VIDA!!!

 

 

 

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